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Arquivo integral elaborado pelo Dr. Dennis Lima, com orientações de coleta, acondicionamento e transporte.
POPs, protocolos, cartilhas e formulários serão disponibilizados conforme validação da equipe e do responsável técnico.
Manual digital, visual e pesquisável elaborado pelo Dr. Dennis Lima.
As informações abaixo preservam o conteúdo do manual e incorporam as ilustrações técnicas mais importantes.
SOBRE A HOPE
Fundada em 2017, a Hope Diagnósticos Veterinários é um centro integrado de saúde veterinária formado por duas divisões.
Hope Clínicavet – Consultas especializadas, cirurgias eletivas de baixa e média complexidade e internamento, com foco em cardiologia e nefrologia. Também recebemos encaminhamentos de pacientes por colegas que não dispõem de centro cirúrgico ou internação, oferecendo suporte técnico e infraestrutura para procedimentos e cuidados contínuos.
Hope Labvet – Laboratório de apoio interno e de diversas clínicas e veterinários autônomos parceiros, oferecendo exames completos para cães, gatos, grandes animais e silvestres.
Na Hope, Clínicavet e Labvet atuam juntos para entregar diagnósticos precisos e confiáveis, além de suporte técnico especializado e continuo aos nossos clientes com tecnologia e cuidado humano.
Sobre o Autor
Dr. Dennis Lima
Médico-veterinário (CRMV-PA), formado pela UFRA (2011), possui especialização em Clínica Médica de Cães e Gatos, Patologia Clínica e Cardiologia Veterinária, fundador da Hope Diagnósticos Veterinários.
Referência na região Norte e Oeste do Pará, já treinou e capacitou diversos profissionais, ajudando a formar uma nova geração de veterinários preparados para atuar em clínica médica de cães e gatos, diagnóstico laboratorial e cardiologia veterinária.
Foi um dos primeiros a estruturar em Santarém/PA um serviço integrado de exames laboratoriais e cardiológicos, modelo que hoje inspira colegas em diferentes clínicas e cidades.
Sua experiência alia prática clínica, científica e análise laboratorial, tendo acompanhado de perto casos complexos que exigiram precisão diagnóstica para salvar vidas.
Na Hope, lidera uma equipe comprometida em transformar o diagnóstico em confiança e cuidado — tanto para médicos-veterinários parceiros quanto para tutores de cães e gatos.
👉 Este manual nasce desse propósito: Simplificar a rotina dos colegas veterinários, oferecendo clareza, praticidade e qualidade desde a coleta até a entrega do resultado.
1. Introdução
Todo exame começa na coleta.
Se a amostra não for bem coletada, armazenada ou transportada, o resultado pode sair errado – e isso atrapalha o diagnóstico, gera retrabalho e pode confundir na hora de decidir o tratamento
Para você, veterinário, fazer uma boa coleta significa ganhar tempo, evitar repetições e passar mais segurança para o tutor. Para o paciente, significa menos estresse e menos desconforto.
Este manual foi criado para ser um guia simples e prático.
Aqui você vai encontrar:
Como preparar o animal antes da coleta (jejum, medicação, ambiente calmo).
Passo a passo de como coletar sangue, urina, fezes, citologias e biópsias.
Como identificar e armazenar corretamente cada amostra
Os erros mais comuns e como evitar.
Checklists rápidos para usar no dia a dia.
O objetivo é facilitar sua rotina e garantir que os exames tenham qualidade desde o início. Assim, você cuida melhor do paciente e ainda fortalece a confiança do tutor no seu trabalho.
👉 Lembre-se: Uma coleta bem feita é sempre o primeiro passo para um diagnóstico confiável.
2. Preparação do Paciente
Uma boa coleta começa com o preparo adequado do animal. Isso garante exames mais confiáveis e evita repetições desnecessárias. Cada tipo de material exige cuidados específicos para garantir resultados confiáveis e evitar repetições desnecessárias.
Exames de sangue Indicações principais: anemias, infecções, doenças renais e hepáticas, desequilíbrios eletrolíticos, endocrinopatias, acompanhamento pré-operatório e check-ups de rotina.
Jejum: 8 a 12 horas na maioria dos casos. Exceções: filhotes, animais debilitados ou com risco de hipoglicemia — reduzir o tempo ou consultar o laboratório. Água: pode ser oferecida normalmente.
Medicamentos que alteram resultados: corticoides, antibióticos, anti-inflamatórios, diuréticos e anticonvulsivantes podem interferir em hemograma, bioquímica e testes hormonais.
Agendamento: Não é necessário. O laboratório recebe
Segunda a Sexta - Coletas das 8h às 18h e recebimento de amostras das 8h às 19h30m.
Sábados - Coletas das 8h às 12h e recebimento de amostras até 15h30.
👉 Dica prática 1: Sempre registre no pedido quais medicamentos o animal usa. Isso ajuda na interpretação.
👉 Dica prática 2: Perfis de exames completos facilitam o dia a dia veterinário, levando mais agilidade e diagnósticos de forma completa e simplificada. Consulte no fim deste capitulo os perfis mais utilizados.
Locais de punção recomendados: Jugular (preferência), cefálica e safena.
Volume ideal: Em média 1 a 2mL de sangue para cada tubo solicitado.
Tubo correto: EDTA para hemograma, sem anticoagulante para bioquímica, citrato para coagulação, heparina conforme solicitado. Homogeneizar suavemente, não agitar. Evitar calor e exposição prolongada.
👉 Dica prática 3: prefira a jugular em cães e gatos – coleta mais rápida, menor risco de hemólise.
👉 Dica prática 4: sempre preencher os tubos até a marca indicada, evitando erros na proporção de anticoagulante.
⚠️ Ponto crítico: hemólise por aspiração brusca pode inviabilizar testes bioquímicos.
Urina
Indicações principais: avaliação de doenças renais e urinárias, monitoramento de proteinúria, exames de rotina em check-ups.
Métodos de coleta:
Colheita natural: Colher o jato médio, prático, mas pode ter contaminação.
Cistocentese: Indicado para cultura com antibiogramas.
Sondagem: útil em obstruções, mas aumenta risco de contaminação e falsos resultados de bacteriúria
Acondicionamento: frasco estéril, envio em até 2h ou refrigerar até 12h.
👉 Dica prática 1: sempre anote o método de coleta no pedido, pois interfere na interpretação.
👉 Dica prática 2: nunca use recipientes caseiros — apenas potes estéreis.
⚠️ Ponto crítico: Urina mal conservada pode gerar falso aumento de cristais ou proliferação bacteriana.
Fezes
Indicações principais: diagnóstico de parasitoses, diarreias crônicas, melena, hematoquezia, monitoramento em check-ups.
Tipos de Exames:
Coleta simples (1 amostra): identifica parasitas ativos no momento, mas pode falhar em casos de eliminação intermitente.
Amostras seriadas (3 dias): Seguidos ou intermitentes, aumentam a sensibilidade do exame, principalmente em parasitoses intermitentes.
Envio: Refrigerar se não for analisado em até 2h. Em frasco coletor universal. Não use outros potes, pode comprometer a biossegurança do pessoal envolvido no transporte e análise.
👉 Dica prática 1: prefira sempre que possível a coleta de 3 amostras seriadas quando a suspeita clínica for forte, mesmo que a primeira coleta venha negativa.
👉 Dica prática 2: oriente o tutor a não misturar fezes com areia ou serragem.
⚠️ Ponto crítico: amostras velhas podem levar à degradação de ovos e trofozoítos, prejudicando o diagnóstico.
Citologia dermatológica
Indicações principais: otites, dermatites, suspeita de fungos ou bactérias, avaliação de raspados de pele.
Técnicas: Swab de ouvido, raspado cutâneo, fita adesiva ou punção de lesões.
Preparo: espalhar o material diretamente em lâmina limpa.
Envio: lâminas secas e sem corantes em frasco porta lâmians
👉 Dica prática 1: sempre envie pelo menos duas lâminas — aumenta a chance de diagnóstico.
👉 Dica prática 2: em suspeita de fungos, também enviar material para cultura.
⚠️ Ponto crítico: excesso de sangue em raspados dificulta a visualização de ácaros e fungos. Não confundir com a Citopatologia (também chamado e citopatologia oncótica, é um exame destina a caracterização de alterações celulares patológicas, oncológicas, infiltrativas)
Líquidos cavitários (análise e Citopatologia de efusões)
Indicações principais: avaliação de efusões pleurais, pericárdicas ou abdominais.
Técnica: coleta estéril com seringa e agulha.
Preparo: Duas lâminas + parte em tubo com EDTA (Roxo) + tubo sem anticoagulante (vermelho ou amarelo)
Envio: refrigerar se não for processado imediatamente.
👉 Dica prática 1: nunca congele líquidos cavitários — isso destrói as células.
👉 Dica prática 2: envie sempre amostra fresca para melhor avaliação celular.
⚠️ Ponto crítico: a amostra sem EDTA pode coagular, dificultando a análise celular.
Guia RÁPIDO DE INTERPRETAÇÃO análise de líquidos cavitários
Citopatologia (citologia oncótica)
Indicações principais: avaliação de nódulos cutâneos, massas abdominais, linfonodos aumentados, suspeitas neoplásicas.
Técnica: punção aspirativa por agulha fina (PAAF), imprint de lesões, coleta com escova cervical ou escarificação com agulha/lâmina de bisturi.
Preparo: espalhar delicadamente o material em lâmina por método de squash ou esfregaço.
Envio: duas ou mais lâminas secas, sem corante.
👉 Dica prática 1: envie o histórico clínico junto (local da massa, tempo de evolução).
👉 Dica prática 2: colete amostras do centro e da periferia da lesão.
⚠️ Ponto crítico: esmagar o material na lâmina destrói células e inviabiliza o exame.
Interpretação de Citopatologia para o Clínico Veterinário
1. Primeira pergunta: é inflamação ou neoplasia?
Inflamação → predominância de neutrófilos, macrófagos, eosinófilos ou linfócitos.
Neoplasia → população celular monótona, com critérios de malignidade.
Misto / reativo → inflamação junto com células reativas, que podem simular tumor.
👉 Isso já direciona a conduta: antibiótico/anti-inflamatório x investigação oncológica.
2. Se for inflamação, qual o tipo?
Séptica → neutrófilos degenerados + bactérias intracelulares → precisa de antibiótico.
Não séptica → inflamação química, estéril (ex: pancreatite, reação a corpo estranho).
Eosinofílica → pensar em alergia, parasitas, mastocitoma.
Granulomatosa/piogranulomatosa → infecção crônica, fungos, corpos estranhos.
👉 Interpretação clínica: entender se o paciente tem um processo infeccioso ativo, uma inflamação crônica ou um quadro alérgico/parasitário.
3. Se for neoplasia, como classificar?
Células epiteliais (carcinomas/adenocarcinomas) → agrupadas, coesas.
Células mesenquimais (sarcomas) → isoladas, fusiformes, caudas citoplasmáticas.
Células redondas (linfoma, mastocitoma, plasmocitoma, TVT) → isoladas, discretas, arredondadas.
👉 Isso já orienta o clínico: de onde vem o tumor e quais exames complementares pedir (US, RX, punção de linfonodo, imunocitoquímica).
4. Critérios de malignidade
Pelo menos 3 critérios nucleares fortes (anisocariose, nucléolos grandes/múltiplos, mitoses bizarras, cromatina irregular) → suspeita de malignidade.
Mas lembrar: citologia sugere, histopatologia confirma.
👉 Para o clínico: se há suspeita de malignidade, preparar tutor para biópsia, estadiamento e tratamento oncológico.
5. Quando o laudo é inconclusivo
Amostra escassa, muito sangue, apenas células inflamatórias.
Nesses casos → repetir coleta, preferir PAF guiada por ultrassom ou indicar biópsia.
6. Resumindo para o clínico:
Inflamação séptica → considerar como infecção → cultura + antibiograma
Inflamação não séptica → investigar causa primária (química, corpo estranho, pancreatite, imunomediada).
Neoplasia com critérios de malignidade → planejar estadiamento e discutir prognóstico.
População mista ou inconclusiva → repetir exame ou partir para histopatologia.
Histopatologia
Indicações principais: diagnóstico definitivo de neoplasias, inflamações crônicas, lesões estruturais.
Fixação: formol tamponado a 10%, volume 10x maior que a peça. Pode manter por período indeterminado de tempo.
Identificação: etiqueta clara com nome do animal, local e data. Cuidados: não usar algodão ou gaze envolvendo a amostra.
👉 Dica prática 1: envie fragmento de até 2,5 centímetros que pegue o centro e borda da lesão/alteração.
👉 Dica prática 2: inclua descrição macroscópica ou foto.
⚠️ Ponto crítico: Fixação insuficiente resulta em necrose e perda de detalhes histológicos. Preenchimento incompleto do formulário pode levar a falsas interpretações e resultados.
Endocrinologia
Indicações principais: investigação de doenças hormonais (hipotireoidismo, hipertireoidismo, hiperadrenocorticismo, hipoadrenocorticismo, diabetes).
Cuidados especiais: alguns testes exigem coletas seriadas em horários específicos (ex.: teste de supressão com dexametasona, estímulo com ACTH).
Preparo: seguir rigorosamente jejum e horários.
👉 Dica prática 1: confirme horários de coleta com o laboratório antes de iniciar testes endócrinos.
👉 Dica prática 2: explique ao tutor que alguns testes exigem o pet na clínica por algumas horas.
⚠️ Ponto crítico: atrasos na coleta seriada invalidam o teste endócrino.
Diabetes Mellitus
(cães e gatos)
Quando desconfiar: muita sede e urina (PU/PD), emagrecimento com apetite ↑, catarata (cães), fraqueza/andar plantígrado (gatos).
Exames que pedir:
Glicemia em jejum
Frutosamina
Urina (glicose, cetonas)
Como interpretar:
Glicemia > 200 mg/dL no cão ou > 250 mg/dL no gato + sinais clínicos = diabetes.
Frutosamina ↑ = confirma que a glicose está alta por vários dias (não é só estresse).
Urina com glicose ou cetonas = reforça diagnóstico.
E depois?: pedir cultura de urina (infecção oculta é comum), bioquímica (pâncreas, fígado) e ultrassom.
Hiperadrenocorticismo (Cushing – cães)
Quando desconfiar: muita sede/urina (PU/PD), barriga pendular, queda de pelos simétrica, aumento do fígado.
Exames que pedir:
Bioquímica (FA ↑, colesterol ↑, glicose ↑).
Urina (baixa densidade, pode ter proteína).
Testes hormonais:
Supressão dexametasona baixa dose– mais sensível.
Estimulação com ACTH (teste de estímulo) – mais específico.
Como interpretar:
Se o cortisol não cai no teste de supressão → suspeita forte de Cushing.
Se a estimulação com ACTH mostra cortisol muito alto → confirma.
E depois?: ultrassom para ver adrenais. Pedir cultura de urina e avaliação de pressão arterial (infecção, hipertensão e proteinúria oculta é comum)
Hipotireoidismo em cães
Quando desconfiar: cão parado, engordando sem comer muito, pelo ruim, pele grossa, frio.
Exames que pedir:
T4 total
T4 livre por diálise
TSH canino
Colesterol/triglicerídeos
Como interpretar:
T4 baixo + sinais clínicos → suspeita.
T4 livre por diálise baixo → confirma.
TSH alto → reforça o diagnóstico
Colesterol ↑ é achado de apoio.
Hipertireoidismo em Gatos
Quando desconfiar: emagrecimento mesmo comendo muito, agitado, taquicardia, hipertensão.
Exames que pedir:
T4 total
T4 livre por diálise
Bioquímica (enzimas hepáticas ↑)
Hemograma (às vezes policitemia)
Como interpretar:
T4 alto = reforça o diagnóstico.
Se T4 normal mas suspeita alta → pedir T4 livre por diálise
E depois?: medir pressão arterial, ecocardiograma (risco de cardiomiopatia).
Ultrassonografia abdominal
Indicações principais: avaliação de alterações urinárias, digestivas, hepáticas, esplênicas, reprodutivas e presença de massas abdominais.
Jejum: Desejável 8 a 12 horas para reduzir gás intestinal.
Água: deve ser oferecida normalmente
Preparo especial: para avaliar bexiga, oriente o tutor a não deixar o animal urinar por 2 a 3 horas antes do exame.
Agendamento: necessário. O exame é realizado apenas com horário marcado.
👉 Dica prática 1: exames abdominais feitos pela manhã têm melhor qualidade porque o jejum é mais fácil de manter.
👉 Dica prática 2: a depender do tamanho do pet, manter ele no colo ou na caixa de transporte pode ajudar a evitar que ele urine antes do exame.
Eletrocardiograma (ECG)
Indicações principais: investigação de arritmias, síncopes, colapsos, monitoramento de drogas cardiotóxicas e avaliação pré-anestésica em pacientes de risco.
Jejum: não é obrigatório, mas pode ser útil em animais ansiosos.
Ambiente: local calmo, silencioso, temperatura confortável.
Medicações: antiarrítmicos e sedativos alteram o traçado; devem ser informados no pedido.
Agendamento: Não é necessário, a qualquer momento levar o pet o exame será realizado no horário de funcionamento
Consulta cardiológica prévia: não é obrigatória — basta o pedido de exame.
👉 Dica prática 1: reduza estímulos durante o ECG (pessoas circulando, barulhos, conversas). Isso diminui falsas alterações no traçado.
Ecocardiograma (ECO)
Indicações principais: avaliação de sopros cardíacos, tosse crônica, cansaço fácil, dispneia, cardiopatias congênitas ou adquiridas, acompanhamento de cardiopatas.
Jejum: Não obrigatório. Água: liberada normalmente.
Medicações: diuréticos, inotrópicos e vasodilatadores interferem nos parâmetros avaliados; devem ser registrados.
Agendamento: necessário. Realizado apenas com horário marcado.
Consulta prévia: não obrigatória — basta o pedido de exame. Sedação em cães: A maioria dos cães não precisa de sedação, mas animais muito agitados podem necessitar. Em cães agressivos, pode-se indicar Trazodona 5–10 mg/kg VO, 24h e 2h antes do exame. Referência: Gruen ME et al., Evaluation of the Effect of Trazodone on Signs of Stress in Hospitalized Dogs, J Am Vet Med Assoc, 2014.
Sedação em gatos: Gatos estressados/agressivos se beneficiam de sedação leve antes do eco, tornando o exame mais tranquilo para o paciente. Recomenda-se Gabapentina 50–100 mg/gato VO, 24h antes e repetir 2h antes do exame. Referência: van Haaften KA et al., Effects of oral gabapentin on signs of stress in cats during veterinary visits, J Am Vet Med Assoc, 2017.
👉 Dica prática 1: Informe ao tutor que essas medicações são seguras e ajudam a reduzir o estresse do exame.
👉 Dica prática 2: Evitar realizar o eco em animal extremamente agitado e agressivo sem avaliar a possibilidade de sedação leve — isso compromete a qualidade da imagem e a segurança da equipe.
Raio-X
Indicações principais: avaliação de alterações respiratórias, fraturas, neoplasias, alterações ortopédicas e massas abdominais.
Jejum: em geral, não é necessário, exceto em casos de avaliação abdominal (6 a 8h). Água: liberada.
Agendamento: Necessário. Exame realizado apenas com horário marcado. Sedação: Para exames de cabeça e coxo femoral, é recomendada sedação leve. Isso garante melhor posicionamento do paciente e qualidade da imagem, principalmente se houver dor.
Sedação também pode ser indicada em animais muito agitados ou doloridos em exames de coluna e tórax.
👉 Dica prática 1: confirme sempre com o tutor sobre histórico de dor ou dificuldade de movimentação antes de solicitar o RX.
👉 Dica prática 2: nunca force posicionamentos dolorosos; nesses casos, prefira a sedação para evitar sofrimento ao paciente e artefatos na imagem.
Perfis facilitadores
Perfil Bioquímico 5
Itens inclusos: ALT, AST, GGT, Ureia, Creatinina Indicações e interpretação: Triagem clínica básica e avaliação inicial de pacientes em rotina ou check-up. Útil para identificar alterações iniciais de função hepática e renal.
Perfil Bioquímico 11
Itens inclusos: ALT, AST, Fosfatase Alcalina, GGT, Ureia, Creatinina, Glicose, Proteína Total, Albumina, Globulina, Relação A/G Indicações e interpretação: Check-up de animais adultos. Permite avaliar fígado, rins, metabolismo energético e equilíbrio proteico. Alterações podem indicar hepatopatias, nefropatias ou desordens metabólicas.
Perfil Bioquímico 15
Itens inclusos: ALT, AST, Bilirrubinas, Fosfatase Alcalina, GGT, Ureia, Creatinina, Fósforo, Glicose, Proteína Total, Albumina, Globulina, Relação A/G, Colesterol, Triglicerídeos Indicações e interpretação: Indicado para pacientes geriátricos ou com comorbidades. Auxilia na detecção precoce de insuficiência renal, distúrbios hepáticos, desequilíbrios metabólicos e dislipidemias.
Perfil Bioquímico 19
Itens inclusos: ALT, AST, Bilirrubinas, Fosfatase Alcalina, GGT, Ureia, Creatinina, Fósforo, Cálcio Total, Potássio, Sódio, Glicose, Proteína Total, Albumina, Globulina, Relação A/G, Colesterol, Triglicerídeos Indicações e interpretação: Avaliação ampla de animais geriátricos ou pacientes com múltiplas comorbidades. Permite investigar hepatopatias, nefropatias, distúrbios eletrolíticos e metabólicos, além do estado nutricional.
Perfil Renal
Itens inclusos: Ureia, Creatinina, Fósforo, Sódio, Potássio, Cálcio Total, Urina Rotina, RPCU Indicações e interpretação: Investigação de função renal em pacientes com suspeita ou acompanhamento de doença renal crônica ou aguda. Avalia azotemia, distúrbios eletrolíticos e proteinúria.
Perfil Hepático
Itens inclusos: ALT, AST, Bilirrubinas, Fosfatase Alcalina, GGT, Proteína Total, Albumina, Globulina, Relação A/G Indicações e interpretação: Avaliação de lesões e função hepática em casos de icterícia, suspeita de hepatopatia ou monitoramento de doenças crônicas. Permite diferenciar padrões de injúria hepatocelular, colestase e alterações no metabolismo proteico.
Perfil Leishmaniose – Estadiamento
Itens inclusos: ALT, Bilirrubinas, Fosfatase Alcalina, GGT, Ureia, Creatinina, Fósforo, Proteína Total, Albumina, Globulina, Relação A/G, Urinálise, RPCU, Pressão Arterial Indicações e interpretação: Indicado para pacientes com diagnóstico confirmado de leishmaniose. Permite estadiar a doença (função hepática, renal e proteinúria) e acompanhar evolução ou resposta terapêutica.
Perfil Leishmaniose – Diagnóstico
Itens inclusos: Citologia por PAAF, Sorologia RIFI + ELISA (diluição total), PCR qualitativo (sangue + linfonodo e/ou swab conjuntival) Indicações e interpretação: Investigação de pacientes com suspeita clínica de leishmaniose. Auxilia na confirmação da infecção, diferenciação entre exposição e doença ativa, além de maior sensibilidade em estágios iniciais.
Perfil Urinário
Itens inclusos: Urina Rotina, RPCU (Relação Proteína-Creatinina Urinária), Bacterioscopia de Urina, Urocultura com Antibiograma Indicações e interpretação: Indicado para check-up urinário e investigação de infecções do trato urinário, proteinúria e alterações sistêmicas que repercutem nos rins. Permite identificar bacteriúria, avaliar inflamação, confirmar infecção com teste de sensibilidade a antibióticos e quantificar perdas proteicas.
Perfil Dermatológico
Itens inclusos: Raspado cutâneo, Pesquisa de Malassezia, Cultura de Fungos Indicações e interpretação: Indicado na triagem de alterações de pele, otites e dermatopatias crônicas. Permite identificar presença de ácaros, fungos e leveduras, auxiliando no diagnóstico diferencial de dermatoses parasitárias, bacterianas e fúngicas.
Perfil Cardiológico
Itens inclusos: Ecocardiograma, Eletrocardiograma, Pressão Arterial, Radiografia de Tórax Indicações e interpretação: Avaliação cardiopulmonar em pacientes com suspeita de cardiopatia, sinais respiratórios crônicos ou antes de procedimentos anestésicos. Permite identificar cardiomegalias, insuficiências valvares, arritmias, alterações na pressão arterial e congestão pulmonar.
Perfil Geriátrico
Itens inclusos: ALT, AST, Bilirrubinas, Fosfatase Alcalina, GGT, Ureia, Creatinina, Glicose, Colesterol, Triglicerídeos, Fósforo, Cálcio Total, Potássio, Sódio, Proteína Total, Albumina, Globulina, Relação A/G, Urinálise, RPCU, Pressão Arterial, Eletrocardiograma, Ecocardiograma, Radiografia de Tórax, Ultrassonografia Abdominal Indicações e interpretação: Avaliação ampla de animais idosos ou com comorbidades múltiplas. Permite rastrear alterações hepáticas, renais, eletrolíticas, metabólicas e cardiovasculares, além de avaliar o trato urinário e investigar neoplasias ou alterações estruturais por imagem.
Pré-operatório – Urgência
Itens inclusos: Hemograma, ALT, Creatinina, Pressão Arterial, Eletrocardiograma Indicações e interpretação: Avaliação rápida de pacientes que precisam de cirurgia emergencial. Permite verificar condição hematológica, função hepática e renal básica, além de risco anestésico cardiovascular.
Pré-operatório – Jovem (1 a 3 anos)
Itens inclusos: ALT, GGT, Ureia, Creatinina, Glicose, Proteína Total, Albumina, Globulina, Relação A/G, Pressão Arterial, Eletrocardiograma Indicações e interpretação: Indicado para pacientes jovens antes de procedimentos eletivos. Detecta alterações subclínicas hepáticas, renais ou metabólicas e avalia segurança anestésica.
Pré-operatório – Adulto (4 a 6 anos)
Itens inclusos: ALT, AST, Fosfatase Alcalina, GGT, Ureia, Creatinina, Glicose, Proteína Total, Albumina, Globulina, Relação A/G, Pressão Arterial, Eletrocardiograma, Ecocardiograma Indicações e interpretação: Check-up pré-anestésico em adultos. Permite detectar alterações hepáticas, renais, metabólicas e cardíacas que possam impactar o risco cirúrgico.
Pré-operatório – Idoso (> 6 anos)
Itens inclusos: ALT, AST, Bilirrubinas, Fosfatase Alcalina, GGT, Ureia, Creatinina, Glicose, Colesterol, Triglicerídeos, Fósforo, Proteína Total, Albumina, Globulina, Relação A/G, Coagulograma, Urinálise, RPCU, Pressão Arterial, Eletrocardiograma, Ecocardiograma Indicações e interpretação: Indicado para pacientes geriátricos ou comorbidos. Avalia função hepática, renal, cardiovascular, coagulopatia e risco anestésico global.
PCR Canino 4 (Básico)
Itens inclusos: Ehrlichia, Babesia, Anaplasma, Dirofilariose Indicações e interpretação: Investigação de doenças transmitidas por carrapatos em cães com febre, epistaxe ou anemia. Identifica coinfecções frequentes em doenças vetoriais.
PCR Canino 7 (Completo)
Itens inclusos: Ehrlichia, Babesia, Anaplasma, Mycoplasma, Hepatozoon, Dirofilariose, Leishmaniose Indicações e interpretação: Indicado para triagem ampla de doenças vetoriais em cães com sinais sistêmicos. Permite diagnóstico precoce e diferencial de coinfecções múltiplas.
PCR Felino 5 (Básico)
Itens inclusos: Ehrlichia, Babesia, Anaplasma, Cytauxzoon, Mycoplasma Indicações e interpretação: Indicado em felinos com anemia, febre ou sinais inespecíficos. Permite diagnóstico rápido de hemoparasitoses felinas.
PCR Felino 7 (Essencial)
Itens inclusos: Ehrlichia, Babesia, Anaplasma, Cytauxzoon, Mycoplasma, FIV, FeLV Indicações e interpretação: Investigação completa de doenças infecciosas em gatos, incluindo hemoparasitoses e viroses imunossupressoras. Útil em casos de anemia, febre persistente ou imunodeficiência.
3. Identificação e Registro
A etapa de identificação é tão importante quanto a coleta. Amostras bem coletadas, mas sem identificação adequada, podem ser inutilizadas pelo laboratório para evitar trocas e diagnósticos errados. Identificação da amostra
Todas as amostras devem ser identificadas no momento da coleta.
É importante constar pelo menos 3 dados do paciente:
Nome do animal
Espécie/raça ou sexo
Nome do tutor ou data da coleta
👉 Dica prática 1: nunca entregue tubos ou frascos sem identificação mínima — eles podem ser descartados pelo laboratório. A obrigação da identificação é do profissional que realiza a coleta.
👉 Dica prática 2: sempre confira se a etiqueta foi fixada corretamente (sem soltar ou borrar).
⚠️ Ponto crítico: sem identificação completa, não há garantia de rastreabilidade da amostra. Podendo levar a troca de resultados ou perda da amostra.
4. Solicitação de exames
O pedido deve ser preenchido com clareza, de forma digital ou física. Quanto mais informações clínicas forem repassadas, melhor será a interpretação laboratorial.
Solicitação geral: exames de sangue, urinálise, bioquímica, sorologias, radiografia e ultrassonografia.
Formulário específico para Citopatologia: deve conter informações como localização da lesão, tempo de evolução e suspeita clínica.
Formulário específico para Histopatologia: incluir dados sobre o local da coleta, descrição macroscópica, suspeita clínica e histórico relevante.
👉 Dica prática 1: formulários específicos (citopatologia e histopatologia) podem ser preenchidos online, garantindo rastreabilidade e padronização. Consulte o laboratório para solicitar o link do formulário.
👉 Dica prática 2: sempre inclua informações clínicas relevantes — aumentam a precisão diagnóstica.
5. Armazenamento e Transporte
Após a coleta e identificação, o próximo cuidado é garantir que a amostra chegue ao laboratório em boas condições. O armazenamento e o transporte corretos evitam degradação, contaminação e resultados falsos. Identificação: cada amostra deve estar corretamente identificada (nome do paciente, tutor, data, tipo de material).
Embalagem: use sistema de três camadas (tubo primário vedado → embalagem secundária resistente → caixa externa rígida).
Temperatura:
Sangue: Temperatura ambiente até 2 horas ou refrigerado até 24 horas, conforme exame solicitado.
Urina, fezes e líquidos biológicos: Refrigerar (2–8 °C).
Amostras para microbiologia: Manter refrigeradas, nunca congelar.
Dermatológicos: Temperatura ambiente
PCR / Biologia Molecular: Pode congelar até -20ºC (EDTA)
Sorologias: Refrigerar (2–8 °C). Nunca congelar.
Tempo: encaminhar ao laboratório o mais rápido possível; evitar demoras que causem degradação.
Biossegurança: use luvas e evite contato direto. Em caso de vazamento, descarte adequado e registro do incidente.
Transporte: utilizar caixas térmicas ou isopor com gelo reciclável, sem contato direto do gelo com o tubo.
Documentação: anexar requisição do exame junto à amostra em compartimento separado.
⚠️ Ponto crítico: amostras expostas ao calor ou à luz direta podem sofrer degradação rápida, alterando parâmetros bioquímicos.
👉 Dica prática 1: sempre transporte líquidos (urina, efusões) dentro de sacos plásticos vedados — caso haja vazamento, evita contaminação de outras amostras.
👉 Dica prática 2: organize as amostras dentro da caixa de forma que não fiquem soltas ou batendo durante o trajeto.
⚠️ Ponto crítico: vazamentos podem contaminar outras amostras e inviabilizar o processamento.
👉 Dica prática 3: sempre confirme com o laboratório o prazo máximo de cada exame específico.
👉 Dica prática 4: ao transportar de outras cidades, use gelo reciclável suficiente para todo o trajeto.
⚠️ Ponto crítico: atrasos no envio podem causar degradação celular, lise bacteriana e resultados falsos negativos.
Resumo: Cada tipo de exame tem exigências de armazenamento diferentes.
Refrigeração, transporte seguro e envio rápido são essenciais.
Pequenos descuidos nessa etapa podem comprometer todo o resultado.
6. Erros Mais Comuns e Como Evitar
Mesmo quando a coleta é feita com cuidado, pequenos deslizes podem comprometer o exame. Conhecer os erros mais comuns ajuda a preveni-los e garante resultados mais confiáveis.
Sangue Erro comum: hemólise por aspiração brusca ou agitação do tubo. Como evitar: usar agulha de calibre adequado e homogeneizar suavemente.
⚠️ Ponto crítico: hemólise altera enzimas hepáticas, eletrólitos e parâmetros hematológicos.
👉 Dica prática 1: prefira a veia jugular em cães e gatos para reduzir risco de hemólise.
Urina
Erro comum: coleta em recipientes não estéreis. Como evitar: sempre usar frasco fornecido pelo laboratório.
⚠️ Ponto crítico: recipientes inadequados podem gerar resultados falsos positivos para bactérias.
👉 Dica prática 2: sempre informe o método de coleta (jato médio, sondagem ou cistocentese).
Fezes Erro comum: envio de amostra muito antiga ou misturada com areia/serragem.
Como evitar: orientar o tutor a coletar amostra fresca e armazenar em coletor universal (solicitar do laboratório). Não enviar em outros potes.
⚠️ Ponto crítico: amostras antigas podem destruir ovos e trofozoítos, gerando falso negativo.
👉 Dica prática 3: peça, sempre que possível o teste 3 amostras seriadas em dias diferentes.
Citologia dermatológica
Erro comum: esfregar demais a lâmina ou usar excesso de sangue. Como evitar: aplicar o material de forma suave e em área limpa da lesão.
⚠️ Ponto crítico: excesso de sangue dificulta visualização de bactérias, fungos e ácaros.
👉 Dica prática 4: envie ao menos duas lâminas bem preparadas para aumentar a chance de diagnóstico.
Líquidos cavitários
Erro comum: enviar amostra apenas em tubo seco. Como evitar: sempre separar parte em EDTA e parte em tubo sem anticoagulante (Vermelho)
⚠️ Ponto crítico: líquidos sem EDTA podem coagular, dificultando análise celular.
👉 Dica prática 5: prepare também lâminas na hora da coleta — isso preserva a morfologia celular.
Citopatologia
Erro comum: esmagar o material entre as lâminas. Como evitar: deslizar suavemente sem pressionar.
⚠️ Ponto crítico: células destruídas impossibilitam diagnóstico.
👉 Dica prática 6: sempre anote o local exato da coleta no pedido.
Histopatologia
Erro comum: usar pouco formol, recipientes inadequados ou demorar muito para colocar a amostra no formol. Como evitar: fixar em formol tamponado 10% em volume 10x maior que a peça. Se planejar para ter formol sempre ao lado em cirurgias de excisão.
⚠️ Ponto crítico: fixação insuficiente causa necrose tecidual e perda de detalhes.
👉 Dica prática 7: nunca envolva a peça em algodão ou gaze — prejudica o processamento.
Endocrinologia
Erro comum: atraso nas coletas seriadas. Como evitar: programar horários exatos e cumprir rigorosamente.
⚠️ Ponto crítico: atraso invalida o teste endócrino (ex.: ACTH, dexametasona).
👉 Dica prática 8: confirme com o laboratório antes de iniciar o protocolo para evitar desperdício.
7. Comunicação com o Laboratório
Uma boa comunicação entre o médico-veterinário e o laboratório é essencial para garantir diagnósticos confiáveis e reduzir retrabalho. Quanto mais clara for a troca de informações, mais rápido e preciso será o resultado.
Quando entrar em contato
Em casos de amostras urgentes (suspeita de hemoparasitose, distúrbios eletrolíticos graves, intoxicações).
Quando houver dúvida sobre preparo do paciente (jejum, medicações).
Para confirmar condições de envio de amostras especiais (PCR, hormônios, líquidos cavitários).
Sempre verifique o portal de exames, as vezes seu resultado já pode estar pronto e pode consultar o status diretamente pelo portal de resultados online
Informações clínicas relevantes
Inclua sempre que possível no pedido:
Suspeita clínica
Histórico de doenças prévias
Uso atual de medicamentos
Exames anteriores relevantes
👉 Dica prática 1: anotações clínicas simples no pedido podem mudar completamente a interpretação do exame.
⚠️ Ponto crítico: pedidos sem informações clínicas reduzem a precisão diagnóstica e aumentam risco de interpretações equivocadas.
📌 Resumo: comunicação eficiente é parte do diagnóstico. Veterinário e laboratório devem atuar como parceiros: quanto mais informações trocadas, mais confiável será o resultado entregue ao tutor.
8. Checklists Rápidos – Passo a Passo
Esses checklists funcionam como guia prático para cada tipo de material. Siga as etapas na ordem para reduzir falhas, evitar repetições e garantir qualidade no resultado.
Sangue – Passo a passo
1. Confirmar jejum (8–12h) ou exceções (filhotes/debilitados). 2. Perguntar sobre medicações em uso e anotar no pedido. 3. Separar tubos corretos para cada exame. 4. Escolher veia adequada (preferência: jugular). 5. Realizar punção com agulha de calibre adequado. 6. Preencher os tubos até a marca indicada. 7. Homogeneizar suavemente os tubos (não agitar). 8. Identificar com pelo menos 3 dados (animal + tutor + data). 9. Preencher requisição online ou física. 10. Armazenar em temperatura ambiente e enviar o quanto antes. ⚠️ Ponto crítico: hemólise inviabiliza muitos exames bioquímicos. 👉 Dica prática: mantenha sempre kits de coleta prontos. Urina – Passo a passo 1. Definir método de coleta (jato médio, sondagem, cistocentese). 2. Usar frasco estéril fornecido pelo laboratório. 3. Anotar no pedido o método de coleta usado. 4. Coletar amostra suficiente (mín. 3 ml). Embalar o frasco com papel e proteger da luz. 5. Identificar com nome do animal + tutor + data. 6. Preencher formulário online ou físico. 7. Enviar em até 2h ou refrigerar (até 12h). ⚠️ Ponto crítico: urina mal armazenada pode gerar falsos positivos de bactérias. 👉 Dica prática: para cultura, sempre coletar por cistocentese.
Fezes – Passo a passo 1. Orientar tutor a coletar amostra fresca em pote limpo. 2. Para suspeita de protozoários/giárdia, pedir 3 amostras em dias diferentes. 3. Coletar quantidade suficiente (1 colher de chá). 4. Identificar com nome do animal + tutor + data. 5. Preencher pedido de exame. 6. Enviar em até 2h ou refrigerar (até 12h). ⚠️ Ponto crítico: amostras velhas destroem ovos e protozoários. 👉 Dica prática: nunca misturar fezes com areia ou serragem. Citologia dermatológica – Passo a passo 1. Selecionar local ativo da lesão (ouvido, pele, pápula). 2. Coletar por swab, raspado, fita adesiva ou punção. 3. Espalhar material suavemente em lâmina limpa. 4. Preparar pelo menos 2 lâminas secas. 5. Identificar cada lâmina com nome do animal + local da coleta. 6. Preencher formulário de exames gerais. 7. Transportar em porta-lâminas rígido. ⚠️ Ponto crítico: excesso de sangue atrapalha a análise. 👉 Dica prática: nunca esfregar lâminas com força, deslize suavemente. Líquidos cavitários – Passo a passo 1. Realizar punção estéril. 2. Retirar quantidade mínima de 3–5 ml. 3. Preparar ao menos 2 lâminas na hora da coleta. 4. Guardar parte da amostra em tubo com EDTA + parte em tubo seco (vermelho) 5. Identificar os frascos e lâminas com dados do paciente. 6. Preencher formulário de exames gerais. 7. Transportar refrigerado em até 12h. ⚠️ Ponto crítico: amostras sem EDTA podem coagular. 👉 Dica prática: prepare sempre lâminas imediatamente após a coleta.
Citopatologia (oncótica) – Passo a passo 1. Realizar PAAF (punção aspirativa por agulha fina). 2. Expelir o material delicadamente em lâmina. 3. Espalhar suavemente, sem esmagar. 4. Preparar pelo menos 2 lâminas secas. 5. Identificar com nome do animal + local da massa. 6. Preencher formulário específico de Citopatologia. 7. Transportar em porta-lâminas rígido. ⚠️ Ponto crítico: esmagar o material destrói células. 👉 Dica prática: colete material tanto do centro quanto da periferia da lesão.
Histopatologia – Passo a passo 1. Colher fragmento representativo da lesão. 2. Fixar em formol 10% (10x o volume da peça). 3. Identificar frasco com nome do animal + local da coleta. 4. Preencher formulário específico de Histopatologia (online). 5. Transportar em frasco vedado, protegido contra vazamento. ⚠️ Ponto crítico: pouco formol leva à necrose e perda de detalhes. 👉 Dica prática: sempre enviar fragmentos de borda e centro da lesão.
Endocrinologia – Passo a passo 1. Confirmar protocolo do exame com o laboratório antes de iniciar. 2. Orientar tutor sobre jejum (8–12h) e tempo de permanência na clínica. 3. Coletar amostras seriadas nos horários corretos. Teste de supressão com dexametasona (para investigação de hiperadrenocorticismo): • Coletar amostra basal (tempo 0h). • Administrar dexametasona 0,01 mg/kg IV (Feldman & Nelson, 5ª ed.). • Coletar nova amostra em 4h. • Coletar outra amostra em 8h. 4. Identificar cada tubo com a hora exata da coleta. 5. Preencher pedido de exame incluindo suspeita clínica. 6. Armazenar tubos refrigerados até o envio. ⚠️ Ponto crítico: atrasos em qualquer tempo de coleta (4h ou 8h) invalidam o teste. 👉 Dica prática 1: programe alarmes para cada tempo de coleta. Informe ao tutor que o pet precisará permanecer na clínica pelo menos 8 horas.
9. Conclusão
A coleta é o primeiro elo da cadeia diagnóstica. Quando bem feita, garante resultados confiáveis, economiza tempo e fortalece a relação de confiança entre o médico-veterinário, o tutor e o laboratório.
Este manual foi construído para servir como guia prático, direto ao ponto, ajudando o veterinário recém-formado ou o clínico mais experiente a padronizar rotinas, reduzir erros e tornar o dia a dia mais leve.
👉 Dica final 1: transforme esses checklists em rotina da equipe — o que é hábito deixa de ser esquecido.
👉 Dica final 2: nunca hesite em entrar em contato com o laboratório. Uma dúvida esclarecida antes vale mais do que um exame repetido depois.
⚠️ Ponto crítico final: toda amostra mal coletada, armazenada ou identificada pode custar não apenas um resultado, mas também a saúde do paciente e a confiança do tutor.
Mais do que tubos e formulários, cada coleta representa uma vida que depende do diagnóstico correto.
O Hope Labvet está ao lado dos colegas veterinários para garantir que esse processo seja seguro, confiável e humano do início ao fim.
(bônus) Guia simplificado de Diagnóstico
e Acompanhamento da Leishmaniose Canina
O que é e por que importa?
A Leishmaniose é uma doença parasitária crônica transmitida pelo mosquito-palha (Lutzomyia). Ela pode causar sinais clínicos variados e ser confundida com outras doenças (renal, dermatológica, autoimune). O diagnóstico correto exige associação entre achados clínicos e exames laboratoriais específicos.
Principais Alterações Laboratoriais
Hemograma: anemia não regenerativa, leucopenia ou leucocitose, trombocitopenia discreta.
Bioquímica: hiperproteinemia, hipoalbuminemia, hiperglobulinemia, aumento de ureia e creatinina nos casos avançados.
Urinálise: proteinúria de leve a grave, RPCU alterado.
Citologia: pode mostrar amastigotas de Leishmania em macrófagos.
Sorologia: testes rápidos (triagem), ELISA/IFI (confirmação), sorologia em diluição (título de anticorpos).
PCR: qualitativo (confirma infecção), quantitativo (mede carga parasitária, útil no acompanhamento).
Estadiamento Prático (Adaptado LeishVet)
Algoritmo Simplificado de Diagnóstico
1. Suspeita clínica (lesões de pele, emagrecimento, linfonodos).
2. Teste rápido.
Negativo → considerar outros diagnósticos.
Positivo → seguir para confirmação.
3. Sorologia confirmatória (ELISA/IFI com diluição total).
4. Em casos duvidosos → PCR (Citolopatologia de nódulos com amastigotas também confirma)
5. Para acompanhamento → Sorologia quantitativa ou PCR quantitativo.
Como Interpretar os resultados
Sorologia (diluição): títulos baixos sugerem exposição, títulos altos indicam infecção ativa. PCR qualitativo: confirma infecção mesmo em títulos baixos. PCR quantitativo: útil para diagnóstico mais sensível e monitorar a resposta ao tratamento. Proteinúria: leve → estágio inicial; moderada a grave → risco de insuficiência renal. Ureia/creatinina: aumentam nos estágios III e IV → indicam comprometimento renal.
Objetivos do Tratamento
O tratamento da Leishmaniose não tem como objetivo curar, mas sim:
Reduzir a carga parasitária.
Controlar sinais clínicos.
Melhorar qualidade de vida.
Prolongar a sobrevida.
Reduzir risco de transmissão.
Como a Hope Diagnósticos Ajuda
A Hope oferece Perfis de Diagnóstico de Leishmaniose, que já reúne os exames necessários para diagnóstico e acompanhamento:
Perfil de Estadiamento de Leishmaniose: (Função Global)
ALT, Bilirrubinas, Fosfatase Alcalina, GGT, Ureia, Creatinina, Fósforo, Proteína Total, Albumina, Globulina, Relação A/G, Urinálise, Urina RPCU, Pressão Arterial
Avaliação laboratorial completa para triagem e estadiamento do paciente com leishmaniose e comorbidades.
Perfil de Diagnóstico de Leishmaniose:
Pesquisa de Leishmania spp. (método: citopatologia por PAF), Sorologia RIFI + ELISA com diluição total, PCR Leishmaniose qualitativo
Indicado para investigação de pacientes com histórico ou sinais suspeitos de leishmaniose. Materiais: lâmina (PAAF) + tubo vermelho (soro) + tubo roxo (EDTA).
👉 Vantagem: O perfil já entrega o mais importante em um só pacote, pronto para diagnóstico, estadiamento e acompanhamento. Ah, e pode contar sempre com a Hope para ajudar na interpretação dos seus casos.
Mensagem Final
Entrar no mundo da clínica veterinária pode parecer desafiador — são muitos exames, diagnósticos diferenciais e condutas a tomar. Mas cada passo dado, cada exame interpretado e cada paciente atendido faz parte da construção da sua experiência.
Este guia foi feito para ser um apoio simples e prático, como aquele lembrete rápido que ajuda a clarear o raciocínio quando surgem dúvidas. Mas lembre-se: nenhum exame fala sozinho. O verdadeiro diagnóstico nasce da soma entre sinais clínicos, histórico, exame físico e os resultados laboratoriais.
Confie no processo.
No início, é normal sentir insegurança, mas com o tempo e prática você pode perceber que interpretar exames é como montar um quebra-cabeça: quanto mais peças você junta, mais claro fica o quadro.
Você não está sozinho. Tenha mentores com expertise e um laboratório com propósito que te ajude nos seus diagnósticos.
A medicina veterinária é feita de ciência, mas também de empatia. E cada vez que você transforma um dado laboratorial em cuidado real para um animal, você dá sentido à sua profissão.
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